sábado, 12 de abril de 2014

A importância dos Jogos Condicionados no treinamento de futsal

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    O esporte faz parte da vida do homem desde os primórdios da humanidade. A importância do jogo é fundamental para o individuo em vários aspectos: motores, tomadas de decisão, psicomotor, cognitivo e afetivo-social. Sabendo disso, o professor que transmite esse conhecimento aos alunos deve escolher um método de ensino que melhor se adapte ao público alvo. Segundo Costa (2003) dentro da metodologia de ensino do Futsal, podemos visualizar três métodos básicos de ensino: o método parcial, o método global e o método misto. O método parcial consiste no ensino do desporto Futsal por partes, através do desenvolvimento dos fundamentos, habilidades motoras que compõem o jogo por etapas, para ao final da aprendizagem, agrupá-los num todo, ou seja, em um único conjunto, que será o próprio jogo de Futsal. O método global consiste em desenvolver e proporcionar a aprendizagem do desporto através do próprio jogo. Ensinar alguma habilidade motora apresentando-a desde o inicio, e utilizando-a como forma de aprendizagem. O método misto possibilita a prática de exercícios isolados, bem como a iniciação ao jogo através das formas jogadas de futsal utilizando o método global e parcial.

    Graça e Oliveira (1998) complementam que existem diferentes formas de ensinar os jogos desportivos coletivos: a) Forma Centrada nas Técnicas – o aprendizado acontece através do ensino das técnicas analíticas para o jogo formal, o desporto é decomposto em elementos técnicos (passe, chute e outros), e existe uma hierarquização das técnicas. Como conseqüência acontece um jogo mecanizado, pouco criativo com comportamentos estereotipados, existindo problemas na compreensão do mesmo. b) Forma Centrada no Jogo Formal – no aprendizado existe uma utilização exclusiva do desporto formal, o mesmo não é condicionado nem decomposto, a técnica surge para responder a situações globais não orientadas. Como conseqüência ele é criativo, mas com base no individualismo, virtuosismo técnico contrastado com anarquia tática, com soluções motoras variadas, mas com inúmeras lacunas táticas e descoordenação das ações coletivas. c) Forma Centrada em Jogos Condicionados - o aprendizado acontece através do jogo para situações particulares, o mesmo é decomposto em unidades funcionais, ele é sistemático e de complexidade crescente, os princípios dos jogos regulam as atividades.

    Como conseqüência as técnicas surgem em função das táticas, de forma orientada e provocada, existe ênfase na inteligência tática com uma correta interpretação e aplicação dos princípios do jogo, favorecendo a viabilização da técnica e da criatividade nas ações do desporte. Para Balzano (2007), os jogos condicionados se objetivam em desenvolver situações específicas do desporto Futsal. Criam-se alternativas onde a finalidade é repetir estas circunstâncias por diversas vezes. Neste modelo o aluno/atleta executa e aprende os objetivos propostos, mas também, pratica o desporto Futsal e suas relações como: ataque, defesa, fundamentos técnicos, regras...

    Os mesmos pretendem estimular nos alunos/atletas à inteligência tática, técnica individual, noção de regras, autonomia, responsabilidade, poder de decisão, resolução dos problemas, criatividade e inclusão de uma forma dinâmica, motivadora e criativa. Desta maneira ele se faz importante para equipe, pois o mesmo se torna peça integrante do todo. O jogo condicionado permite ao aluno/atleta a utilização da criatividade que é a verdadeira arte num desporto. O mesmo estimula os jogadores a participar, pois se treina os gestos motores jogando, com pressão de um adversário, próximo da situação real que irá encontrar dentro do jogo formal. Essa prática integra os atletas com o que estão fazendo, levando-os a pensar, comprovar, trabalhar, ousar, lembrar, experimentar, criar e absorver. Para Santana (2004), estas práticas são fundamentais para o desenvolvimento dos jogadores, caracterizando-as como atividades competitivas, envolvendo regras aceitas pelo grupo, permeadas pela tensão e prazer, onde a fantasia se mistura à realidade. Segundo Costa (2003) os tipos de jogos condicionados são: Jogos técnicos, recreativos, táticos de ataque, táticos de defesa, com vantagem e desvantagem numérica e para funções específicas.

    Conforme Leães (2003) os jogos condicionados influenciam os atletas nas seguintes capacidades:

Capacidades coordenativas

    As capacidades coordenativas dizem respeito à técnica do jogador (passe, chute, drible, deslocamento e outros). Segundo Michels (1981 apud Leães 2003) “os jogos condicionados aumentam a participação do jogador, em função da proximidade da jogada, contribuindo para o desenvolvimento técnico-tático”. Os jogos condicionados permitem que o jogador tenha um maior contado com a bola, e execute mais os objetivos pré-estabelecidos em um período de tempo menor e com uma visão global do jogo. Aumentando a participação do jogador, conseqüentemente acontece uma evolução técnica. Quanto mais o atleta tocar na bola, aumenta o índice de tomadas de decisão, com isso acontece um número maior de erros, e obriga o jogador a buscar novas soluções e métodos para minimizar os erros. Paralelamente a evolução técnica, desenvolve-se o raciocínio e a autonomia do atleta.

Capacidades das habilidades perceptivo-motoras e tomadas de decisão

    O processo perceptivo nos permite a relação da consciência corporal e o meio ambiente externo e interno (nosso corpo). Para Elliot/Mester (1998 apud Leães 2003) os jogos condicionados possibilitam ao jogador o reconhecimento da interação do seu corpo com o adversário, colegas e a bola. A tomada de decisão é a seleção da forma correta de agir, que o atleta encontra no momento que este é chamado para interferir no desporto.

    Com os jogos condicionados aumenta a freqüência de interação do jogador e as tomadas de decisão durante as partidas, acontecendo um progresso do mesmo dentro do jogo.

Capacidades táticas

    As movimentações executadas com e sem bola pelos jogadores e as capacidades coordenativas determinam o desempenho do atleta. Ao jogador não basta uma capacidade tática individual, mas também uma capacidade coletiva. Os jogos condicionados contribuem no desenvolvimento tático do atleta, pois o mesmo tem uma participação constante nas situações que ocorrem durante a partida. Estes exercitam as situações que acontecem durante os jogos varias vezes. Os jogos são um processo de ensino – aprendizagem contribuindo para formação tática do desportista.

Capacidades psicológicas

    Conforme Dorín (1995 apud Leães 2003), a motivação é um dos fatores que influenciam no processo de ensino – aprendizagem. A competição é instrumento imprescindível na motivação do atleta, e os jogos condicionados encaixam-se perfeitamente neste aspecto motivacional. Os ambientes competitivos e o prazer de jogar do atleta estimulam o processo. Para o desportista desempenhar seu papel satisfatório durante a partida é importante que o ambiente de trabalho seja motivante. Um treino monótono desestimula o atleta, e este leva para quadra estes sintomas. Segundo Luxbacher (1999) “os jogadores devem estar excitados e estimulados no processo de aprendizagem”. Os jogadores devem conviver num ambiente saudável, desafiador e competitivo e sentir-se parte integrante e importante do contexto. É neste aspecto que os jogos se encaixam perfeitamente no processo.

Capacidades condicionais (físicas)

    As capacidades condicionais influenciam diretamente na performance do atleta e são interdependentes durante a partida. Os jogos condicionados além de influenciarem nos aspectos técnicos e táticos estão interligados as capacidades físicas (força, velocidade, resistência e outras). Para Carravetta (1997 apud Leães 2003) “a aplicação do jogo adaptado influencia na resistência anaeróbica dos jogadores, fator determinante nos jogos de futsal”. Os mesmos por serem de grande intensidade e movimentação estimulam várias valências físicas necessárias para o jogador de futsal, contribuindo com o trabalho físico do preparador, tomando o cuidado para não sobrecarregar o atleta. Com esta importância dos jogos, na formação integral do desportista, torna-se importante programar (periodizar) o treinamento do jogador para atingir todas as suas capacidades de maneira linear.

Fonte

segunda-feira, 17 de março de 2014

Iniciação ao futsal: as crianças jogam para aprender ou aprendem para jogar?


    O futsal, esporte que surgiu da fusão entre o futebol de salão e o futebol cinco, isso no final da década de 80 do século XX (SANTANA, 2002a), desenvolveu-se substancialmente nos últimos dez, doze anos. Muito disso, deve-se às significativas alterações ocorridas nas suas regras. Estas teriam feito do futsal, em comparado ao futebol de salão, um esporte mais dinâmico, competitivo e atraente.

    Em particular, há indícios de que as crianças brasileiras constituem grande parte dos que praticam futsal. Isso pode ser entendido, em parte, se considerarmos o processo de urbanização de boa parte das cidades brasileiras (FREIRE, 2003), que fez com que possíveis locais onde as crianças brincavam e jogavam as suas primeiras "peladas" dessem lugar a complexos residenciais e comerciais. Logo, crianças (pelo menos aquelas que vivem em grandes cidades) encontram nas quadras de futsal de escolas, clubes, condomínios e associações possíveis espaços para, orientadas por professores, "jogar bola".

    Nesse contexto, de popularidade do futsal, destacam-se em geral as questões pedagógicas e em particular as metodológicas (como ensinar). Voser e Giusti (2002, p. 13) ratificam essa assertiva ao explicarem que "[...] o fenômeno esportivo infantil tem sido neste início de século, motivo de muitos estudos e questionamentos tanto no que diz respeito aos seus ideários como em relação à sua função pedagógica". É nessa direção que caminha nosso estudo: optamos em investigar, dentre dois princípios metodológicos clássicos e antagônicos o analítico-sintético e o global-funcional (DIETRICH, DURRWACHTER e SCHALLER, 1984) , qual o mais freqüentemente utilizado por professores de educação física para ensinar futsal. A pergunta central que procuramos responder foi se "as crianças jogam para aprender (princípio global) ou aprendem para jogar (princípio analítico)?". Na seqüência, explicaremos ambos, iniciando por este último.


O princípio analítico-sintético

    Quando falamos em métodos parciais, métodos analíticos, exercício por partes, atividades centradas na técnica, geralmente estamos considerando o princípio analítico- sintético. Reis (1994, p. 9), o define como "[...] aquele em que o professor parte dos fundamentos, como partes isoladas, e somente após o domínio de cada um dos fundamentos o jogo propriamente dito é desenvolvido".

    O princípio analítico apresenta a série de exercícios como medida metodológica principal (DIETRICH, DURRWACHTER e SCHALLER, 1984). Esse modelo surgiu, primeiramente, nos esportes individuais. É, particularmente, representado pelo método parcial e assume várias definições que apontam para um mesmo ponto: as habilidades são treinadas fora do contexto de jogo para que, depois, possam ser transferidas para as situações de jogo.

    De acordo com Dietrich, Durrwachter e Schaller (1984, p.17), "Os representantes desse método partem do princípio que a divisão corrente do jogo em 'técnica', 'tática' e 'treino' deve também determinar a metodologia". Esse método pode ser considerado como "exato", por sua preocupação demasiada com os detalhes de cada fundamento. Greco (1998, p.41), explica que, nesse método

O aluno conhece, em primeiro lugar, os componentes técnicos do jogo através da repetição de exercícios de cada fundamento técnico, os quais são logo acoplados a série de exercícios, cada vez mais complexos e mais difíceis; à medida que a ajuda e a facilitação diminuem, gradativamente aumenta a complexibilidade e a dificuldade das ações. À medida que o aluno passa a dominar melhor cada exercício, passa a praticar uma nova seqüência. Estes movimentos já dominados passam a ser integrado em um contexto maior, que logo permitirão o domínio dos componentes básicos da técnica inerente ao jogo esportivo, na sua situação do modelo ideal...

    Em síntese, uma aula orientada pelo princípio analítico-sintético caracterizar-se-ia: (a) pelo ensino de uma habilidade (ou fundamento técnico) por etapas até a sua automatização e, por fim, a sua aplicabilidade no jogo em si (FONSECA, 1997), (b) por uma seqüência de exercícios dirigidos ao aprendizado da técnica para, no final da aula, se proceder ao jogo (GRECO, 1998) e (c) pela supressão do jogo e da brincadeira (SANTANA, 2004).

    Depreende-se que, se orientada por esse princípio, a aprendizagem do jogo de futsal seria construída pela repetição de exercícios, desvinculada do contexto de jogo. Por extensão, a pedagogia, na iniciação esportiva, tenderia a empregar "(...) muito tempo na técnica e pouco no jogo (GRECO, 2001, p. 54)".


O princípio global-funcional

    Ao falarmos de método global, nos referimos ao princípio metodológico global-funcional. Neste, criam-se "[...] cursos de jogos, que partem da simplificação de jogos esportivos de acordo com a idade, e através de um aumento de dificuldades na formação de jogos até o jogo final (DIETRICH, DURRWACHTER e SCHALLER, 1984, p. 13)". A série de jogos (recreativos, grandes jogos, pré-desportivos...), portanto, representa a medida metodológica principal. Esse método (global) tem se mostrado mais consistente quando comparado aos analíticos, pois atende o desejo de jogar dos alunos, conseqüentemente, estes ganham em motivação e o processo ensino-aprendizagem é facilitado (GRECO, 2001).

    Na teoria global, alguns autores (REIS, 1994; GRECO, 1998; LÓPEZ, 2002), insistem na importância da figura, da forma, da configuração, da organização da experiência, que está sempre estruturada na idéia do todo indissociável. Nessa concepção, trata-se de perceber os estímulos, não como a soma das partes, mas como um conjunto organizado. O ponto de partida é a equipe, que aprende a jogar através do deixar jogar.

    O método global parte da totalidade do movimento e caracteriza-se pelo aprender jogando; parte-se dos jogos pré-desportivos (jogos com algumas alterações nas suas regras) para o jogo formal; utiliza-se, inicialmente, de formas de jogo menos complexas cujas regras vão sendo introduzidas aos poucos (REIS, 1994).

    Quando se trata de treinamento moderno, o método globalizado (LÓPEZ, 2002) vem sendo o mais empregado, na medida que interagem aspectos como a criatividade, a imaginação e o pensamento tático dos jogadores. Este autor define três objetivos principais desse método: (a) a constante tomada de decisões dos alunos, desenvolvendo assim sua inteligência tática, permitindo solucionar problemas que ocorrem durante a partida, (b) facilitar a compreensão por parte do jogador, da verdadeira estrutura do jogo com fases defensivas e ofensivas que requerem do jogador posturas diferenciadas e (c) permite, também, que os alunos enfrentem com mais segurança a competição, já que enfrentam a mesma situação em treinamentos.

    Greco (1998, p.43) explica que, nesse método, "[...] procura-se em cada jogo ou formas jogadas, pelo menos a 'idéia central do jogo' ou que suas estruturas básicas estejam presentes na metodologia". Note-se que a divisão dos jogos não deve abranger muitas partes, de forma que o aluno consiga alcançar logo o jogo objetivado. Deve-se ter cuidado, também, para que as formas de jogo prévias não sejam mais difíceis que o jogo objetivado (o jogo formal).

    Para os que são conservadores em relação ao método global, apoiando-se na idéia de que é preciso adquirir a técnica das diferentes habilidades para depois jogar (crença do princípio analítico), é preciso atentar para o fato de que os alunos não vêm em branco para as aulas. Eles já possuem um repertório rudimentar de habilidades, o que lhes permite jogar e atualizar neste (no jogo) o seu repertório motor (GRAÇA, 1998). Destaca-se, nesse princípio, o fato de que os alunos, ao jogar, são obrigados a tomar decisões. Para tomá-las, deverão considerar fatores, como, por exemplo, o adversário, a sua colocação, a colocação do adversário, o posicionamento dos seus companheiros e o que fazer com e sem posse de bola, ou seja, quem joga interage com os imprevistos que somente o jogo propicia. A possível decorrência disso é tornar-se mais inteligente para jogar. Por conseguinte, as habilidades são desenvolvidas num contexto de jogo de forma aberta (vivenciadas num contexto de imprevisibilidade), projetando uma herança de movimentos e de leitura tática promissora para quem aprende.

    Como explicitado, os princípios e métodos de ensino são opostos e têm objetivos distintos. O analítico é centrado na técnica, em exercícios, na repetição dos gestos esportivos e na especialização precoce do aluno em cima de algumas técnicas. O global é centrado na tática, no jogo, cujo ambiente torna-se mais prazeroso, a especialização precoce de algumas habilidades é refutada e o objetivo é desenvolver a inteligência do aprendiz.


Material e método

    O método de pesquisa foi observação não-participante. Nesta, o pesquisador toma contato com a comunidade, mas sem integrar-se a ela: permanece de fora, isto é, "[...] presencia o fato, mas não participa dele; não se deixa envolver pelas situações; faz mais o papel de espectador (MARCONI; LAKATOS, 2003, p.193)".

    Na investigação, observaram-se oito aulas de futsal para crianças de sete e oito anos, ministradas por professores de educação física, em quatro escolas especializadas da cidade de Santa Maria (RS). O que se procurou observar foi qual dos dois princípios anteriormente descritos é mais freqüentemente utilizado para se ensinar futsal. Para tanto, foram estabelecidos alguns critérios: (a) se, nas aulas, o professor apresentasse a série de exercícios como medida metodológica principal e, por último, o jogo formal (o jogo de futsal em si), considerar-se-ia o princípio analítico-sintético; (b) se o professor apresentasse a série de jogos como medida metodológica principal e, depois, mas não necessariamente, o jogo formal, o princípio global-funcional seria considerado. O pesquisador, à medida que os professores propuseram as atividades, as anotou em formulário específico.


Resultados e discussão

    A tabela seguinte contempla o número da aula observada, a incidência (a quantidade) de atividades motoras ministradas e o princípio metodológico.

Tabela 01: Princípio metodológico utilizado nas aulas observadas

    Com base nos dados anteriores, evidenciou-se a unanimidade do princípio analítico-sintético presente nas oito aulas das diferentes escolas para se ensinar futsal. As atividades foram baseadas em exercícios, realizados em partes, em etapas, apresentando uma divisão dos gestos, das técnicas, da ação motora em seus mínimos componentes (GRECO, 1998).

    Em geral, as aulas contemplaram exercícios de passe, de condução e de chute, realizados de forma individual, em duplas ou em trios. Seguiu-se à série de exercícios, em todas as aulas, o jogo formal, isto é, o jogo de futsal com a formação numérica de 5x5. Num total de 31 atividades propostas pelos professores, 24 delas eram, predominantemente, analíticas, representando 77,19% e a outra parte, menor, referiu-se à aplicação do jogo formal, representado 25,8%. Infere-se que os professores enfatizaram o modelo de ensino centrado na técnica o que, segundo Greco (1998, p. 41), está "[...] orientado ao gesto do campeão".

    Relevante que todas as escolas pesquisadas, ainda que pertençam, geograficamente, a locais diferentes, adotaram o mesmo princípio metodológico. O que se perde e o que se ganha com esse tipo de pedagogia? Perde-se cognitivamente, isto é, o aluno é treinado para repetir exercícios e não para resolver problemas; para seguir um modelo e não para criar e se adaptar a novas situações; para executar a habilidade (como fazer), mas não para aplicá-la em situação de jogo, associada ao o que fazer, quando fazer e por que fazer. A possível herança para os alunos, além das anteriormente mencionadas (incapacidade para resolver problemas, dificuldade para criar e se adaptar a novas situações) é a de adquirirem uma boa execução das diferentes técnicas do futsal.


Considerações finais

    Ao nosso ver, o que se encontrou nas escolas de futsal pesquisadas foi um tipo de pedagogia que não capacita a criança a resolver os problemas que se apresentam no jogo. A criança que aprende a praticar as habilidades, possivelmente, ficará competente nisso, mas isso não é garantia de que ela possa jogar bem futsal. A idéia analítica de que a soma das partes resultará no todo, isto é, de que se o aluno aprender a passar, a chutar, a conduzir se lhe garantirá jogar bem é, no mínimo, duvidosa. Por quê? Porque o jogo de futsal e os esportes coletivos em geral são muito mais que isso. Jogar futsal exige perceber, antecipar ações (no plano mental) e tomar decisões (GARGANTA, 1998). Escolher corretamente o que fazer dependerá, portanto, de saber escolher e isso demanda uma pedagogia do treino comprometida em propiciar situações nas quais isso seja exigido. Ora, um processo de ensino centrado na repetição de exercícios inibe conflitos e problemas, logo inibe a criatividade e a tomada de decisões.

    Em sendo assim, pensamos que o raciocínio do treino (ou da aula) de futsal deve perseguir o viés do jogo. O aluno, no treino, deve confrontar-se com as vicissitudes do jogo (SANTANA, 2002b). Mas, por que jogar? Pelo menos por seis motivos:

  1. O jogo atende o desejo de jogar da criança;

  2. O jogo motiva a criança a aprender;

  3. O jogo desenvolve a inteligência tática;

  4. O jogo favorece as trocas sociais;

  5. O jogo facilita o desenvolvimento moral;

  6. O jogo não exclui a técnica.

    Por um lado, não pode passar despercebido do que se observou, o fato de que é precoce ensinar um único tipo de esporte para crianças de sete e oito anos, ainda que, culturalmente, se justifique ensinar futsal no Brasil. Seguramente, crianças nessa faixa etária (considerando-se, evidentemente, as experiências individuais) em geral não se encontram no melhor período para aprender habilidades motoras específicas (MEINEL, 1984), tampouco para aplicá-las num contexto definido (GALLAHUE, 1996) e, muito menos, para se especializar esportivamente (BOMPA, 2002). Logo, a pedagogia observada, em particular por centrar-se na repetição de técnicas, compromete tanto a inteligência tática como o repertório motor das crianças. Estes são, ao nosso ver, os seus maiores equívocos.

    Compreendemos que os professores de esporte em geral devem ter conhecimento dos princípios metodológicos a serem aplicados na iniciação esportiva, pois estes têm uma relação estreita com o aprendizado do aluno, com a seleção das atividades motoras a serem propostas, com as diretrizes pedagógicas, com a idéia que se tem da formação do jogador. Como escolher um princípio, perpassa conhecê-lo, procuramos neste artigo, por um lado, clarificar os aportes teóricos de dois princípios antagônicos e, de outro, conhecer, num contexto em particular, a utilização dos mesmos em aulas de futsal para iniciantes.

    Esperamos que outros estudos sejam realizados no Brasil a fim de que se possa conhecer, em outros cenários e faixas etárias, como os professores ensinam futsal, um dos esportes mais praticados e queridos pelas crianças brasileiras.


Referências

  • BOMPA T.O. Treinamento Total para Jovens Campeões. São Paulo: Manole, 2002.

  • DIETRICH, K, DÜRRWÄCHTER, G, SCHALLER, H. Os grandes jogos: metodologia e prática. Rio de Janeiro, Ao Livro Técnico, 1984.

  • FONSECA, G.M. Futsal: metodologia do ensino. Caxias do Sul: EDUCS, 1997.

  • FREIRE, J.B. Pedagogia do futebol. Campinas, Autores Associados, 2003.

  • GALLAHUE D. L. Developmental Physical Education for Today's Children. Dubuque: Brown&Benchmark, 1996.

  • GARGANTA J. Para uma teoria dos jogos desportivos coletivos.In: GRAÇA A, OLIVEIRA, J. O ensino dos jogos desportivos. 3a ed. Santa Maria da Feira: FCDEF-UP, 1998. p.11-25.

  • GRAÇA, A. Os comos e os quandos no ensino dos jogos desportivos coletivos. In: GRAÇA A, OLIVEIRA, J. O ensino dos jogos desportivos. 3a ed. Santa Maria da Feira: FCDEF-UP, 1998, p.27-34.

  • GRECO, P.J. Iniciação esportiva universal 2: metodologia da iniciação esportiva na escola e no clube. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1998.

  • GRECO, P.J. Métodos de ensino-aprendizagem-treinamento nos jogos esportivos coletivos. In: GARCIA, E.S; LEMOS, K.L.M. Temas atuais VI - Educação física e esportes. Belo Horizonte: Health, 2001. cap.3, p. 48-72

  • LÓPEZ, J.L. Fútbol: 1380 juegos globales para el entrenamiento de la técnica. Sevilla: Wanceulen, 2002.

  • MARCONI M.A, LAKATOS E.M. Fundamentos de metodologia científica. 5a ed. São Paulo: Atlas, 2003.

  • MEINEL K. Motricidade II - O desenvolvimento motor do ser humano. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1984.

  • REIS, Heloisa Helena Baldy dos. O ensino dos jogos esportivizados na escola. 1994. Dissertação (Mestrado em Educação Física) UFSM, Santa Maria.

  • SANTANA, W.C. Heresia. 2004. Seção Editorial. Disponível em http://www.pedagogiadofutsal.com.br/editorial_006.php Acesso em 04 jul. 2004.

  • SANTANA, W.C. Futsal ou futebol de salão? Uma breve resenha histórica. 2002a. Seção Apontamentos. Disponível em < http://www.pedagogiadofutsal.com.br/texto_015.php Acesso em 04 jul. 2004.

  • SANTANA, W.C. Jogo livre: a herança do jogador de futsal bem treinado. 2002b. Seção Apontamentos. Disponível em http://www.pedagogiadofutsal.com.br/texto_019.php Acesso em 04 jul. 2004.

  • VOSER, R.C, GIUSTI, J.G. O futsal e a escola: uma perspectiva pedagógica. Porto Alegre: Artmed, 2002.

Fonte

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Equipamentos para jogadores de futsal

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É  vedado ao atleta o uso de qualquer objeto reputado pelo árbitro como perigoso ou nocivo à prática do desporto. O árbitro exigirá a remoção de qualquer objeto que, a seu critério, possa molestar ou causar dano ao adversário ou a si próprio. Não poderão usar piercing, brincos, pulseiras, cordões, colares, anéis etc.... Será permitido somente o uso de aliança. Não sendo obedecido em sua determinação, ordenará a expulsão do mesmo.

O equipamento dos atletas compõe-se de camisa de manga curta, ou manga comprida, calção curto, meias de cano longo, caneleiras, tênis confeccionados com lona, pelica ou couro macio, com solado e revestimento lateral de borracha ou material similar, ficando terminantemente proibido o uso de camisa sem manga e de sapatos com solado de couro ou pneu, ou que contenham travas. As caneleiras deverão estar completamente cobertas pelas meias e serem confeccionadas em material apropriado que ofereça proteção ao atleta (borracha, plástico, poliuretano ou material similar).O capitão da equipe deverá usar uma braçadeira em um dos braços para identificá-lo. Os atletas poderão usar tornozeleiras de qualquer cor, por dentro ou por fora das meias.

Nas costas e na frente das respectivas camisas, obrigatoriamente, serão colocadas numerações de 1 (um) a 15 (quinze), vedada a repetição de números na mesma equipe. É igualmente obrigatório a diferenciação entre a cor do número e cor da camisa, visando assegura a identificação pelo árbitro e pelo público. Os números das costas terão o tamanho de 15 (quinze) a 20 (vinte) centímetros de altura e os números de frente terão o tamanho de 8 (oito) a 10 (dez) centímetros de altura.

O goleiro usará uniforme com camisa de cor diferente dos demais atletas de linha de ambas as equipes, sendo-lhe permitido, com exclusividade, para fins de proteção, o uso de calça de agasalho.

O atleta que apresentar na quadra de jogo utilizando sob seu calção, o short térmico, somente poderá utilizá-lo se for da mesma cor predominante no calção.

O atleta que não se apresentar devidamente equipado, camisa por dentro do calção, meias levantadas, desatendendo às exigências desta regra, será retirado da quadra de jogo, temporariamente, somente podendo retornar à disputa da partida com a autorização do árbitro e no momento em que a bola estiver fora do jogo e uma vez verificada a regularidade do equipamento. O atleta que tiver que deixar a quadra de jogo para corrigir o seu equipamento, deverá fazê-lo pela zona
de substituição correspondente a sua equipe.

Os atletas não podem mostrar camisetas interiores com lemas ou publicidade. Os organizadores da competição devem sancionar o atleta.

As camisetas dos atletas devem ter mangas.

Da comissão técnica:

Os membros da comissão técnica não podem permanecer no banco de reservas usando camisas sem manga, bermudas, short, calções, sandálias ou chinelos. Não será permitido o uso de qualquer tipo de aparelho de comunicação(rádio, telefones, etc...)

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Importância dos Jogos Condicionados no treinamento de futsal

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    O esporte faz parte da vida do homem desde os primórdios da humanidade. A importância do jogo é fundamental para o individuo em vários aspectos: motores, tomadas de decisão, psicomotor, cognitivo e afetivo-social. Sabendo disso, o professor que transmite esse conhecimento aos alunos deve escolher um método de ensino que melhor se adapte ao público alvo. Segundo Costa (2003) dentro da metodologia de ensino do Futsal, podemos visualizar três métodos básicos de ensino: o método parcial, o método global e o método misto. O método parcial consiste no ensino do desporto Futsal por partes, através do desenvolvimento dos fundamentos, habilidades motoras que compõem o jogo por etapas, para ao final da aprendizagem, agrupá-los num todo, ou seja, em um único conjunto, que será o próprio jogo de Futsal. O método global consiste em desenvolver e proporcionar a aprendizagem do desporto através do próprio jogo. Ensinar alguma habilidade motora apresentando-a desde o inicio, e utilizando-a como forma de aprendizagem. O método misto possibilita a prática de exercícios isolados, bem como a iniciação ao jogo através das formas jogadas de futsal utilizando o método global e parcial.

    Graça e Oliveira (1998) complementam que existem diferentes formas de ensinar os jogos desportivos coletivos: a) Forma Centrada nas Técnicas – o aprendizado acontece através do ensino das técnicas analíticas para o jogo formal, o desporto é decomposto em elementos técnicos (passe, chute e outros), e existe uma hierarquização das técnicas. Como conseqüência acontece um jogo mecanizado, pouco criativo com comportamentos estereotipados, existindo problemas na compreensão do mesmo. b) Forma Centrada no Jogo Formal – no aprendizado existe uma utilização exclusiva do desporto formal, o mesmo não é condicionado nem decomposto, a técnica surge para responder a situações globais não orientadas. Como conseqüência ele é criativo, mas com base no individualismo, virtuosismo técnico contrastado com anarquia tática, com soluções motoras variadas, mas com inúmeras lacunas táticas e descoordenação das ações coletivas. c) Forma Centrada em Jogos Condicionados - o aprendizado acontece através do jogo para situações particulares, o mesmo é decomposto em unidades funcionais, ele é sistemático e de complexidade crescente, os princípios dos jogos regulam as atividades.

    Como conseqüência as técnicas surgem em função das táticas, de forma orientada e provocada, existe ênfase na inteligência tática com uma correta interpretação e aplicação dos princípios do jogo, favorecendo a viabilização da técnica e da criatividade nas ações do desporte. Para Balzano (2007), os jogos condicionados se objetivam em desenvolver situações específicas do desporto Futsal. Criam-se alternativas onde a finalidade é repetir estas circunstâncias por diversas vezes. Neste modelo o aluno/atleta executa e aprende os objetivos propostos, mas também, pratica o desporto Futsal e suas relações como: ataque, defesa, fundamentos técnicos, regras...

    Os mesmos pretendem estimular nos alunos/atletas à inteligência tática, técnica individual, noção de regras, autonomia, responsabilidade, poder de decisão, resolução dos problemas, criatividade e inclusão de uma forma dinâmica, motivadora e criativa. Desta maneira ele se faz importante para equipe, pois o mesmo se torna peça integrante do todo. O jogo condicionado permite ao aluno/atleta a utilização da criatividade que é a verdadeira arte num desporto. O mesmo estimula os jogadores a participar, pois se treina os gestos motores jogando, com pressão de um adversário, próximo da situação real que irá encontrar dentro do jogo formal. Essa prática integra os atletas com o que estão fazendo, levando-os a pensar, comprovar, trabalhar, ousar, lembrar, experimentar, criar e absorver. Para Santana (2004), estas práticas são fundamentais para o desenvolvimento dos jogadores, caracterizando-as como atividades competitivas, envolvendo regras aceitas pelo grupo, permeadas pela tensão e prazer, onde a fantasia se mistura à realidade. Segundo Costa (2003) os tipos de jogos condicionados são: Jogos técnicos, recreativos, táticos de ataque, táticos de defesa, com vantagem e desvantagem numérica e para funções específicas.

    Conforme Leães (2003) os jogos condicionados influenciam os atletas nas seguintes capacidades:

Capacidades coordenativas

    As capacidades coordenativas dizem respeito à técnica do jogador (passe, chute, drible, deslocamento e outros). Segundo Michels (1981 apud Leães 2003) "os jogos condicionados aumentam a participação do jogador, em função da proximidade da jogada, contribuindo para o desenvolvimento técnico-tático". Os jogos condicionados permitem que o jogador tenha um maior contado com a bola, e execute mais os objetivos pré-estabelecidos em um período de tempo menor e com uma visão global do jogo. Aumentando a participação do jogador, conseqüentemente acontece uma evolução técnica. Quanto mais o atleta tocar na bola, aumenta o índice de tomadas de decisão, com isso acontece um número maior de erros, e obriga o jogador a buscar novas soluções e métodos para minimizar os erros. Paralelamente a evolução técnica, desenvolve-se o raciocínio e a autonomia do atleta.

Capacidades das habilidades perceptivo-motoras e tomadas de decisão

    O processo perceptivo nos permite a relação da consciência corporal e o meio ambiente externo e interno (nosso corpo). Para Elliot/Mester (1998 apud Leães 2003) os jogos condicionados possibilitam ao jogador o reconhecimento da interação do seu corpo com o adversário, colegas e a bola. A tomada de decisão é a seleção da forma correta de agir, que o atleta encontra no momento que este é chamado para interferir no desporto.

    Com os jogos condicionados aumenta a freqüência de interação do jogador e as tomadas de decisão durante as partidas, acontecendo um progresso do mesmo dentro do jogo.

Capacidades táticas

    As movimentações executadas com e sem bola pelos jogadores e as capacidades coordenativas determinam o desempenho do atleta. Ao jogador não basta uma capacidade tática individual, mas também uma capacidade coletiva. Os jogos condicionados contribuem no desenvolvimento tático do atleta, pois o mesmo tem uma participação constante nas situações que ocorrem durante a partida. Estes exercitam as situações que acontecem durante os jogos varias vezes. Os jogos são um processo de ensino – aprendizagem contribuindo para formação tática do desportista.

Capacidades psicológicas

    Conforme Dorín (1995 apud Leães 2003), a motivação é um dos fatores que influenciam no processo de ensino – aprendizagem. A competição é instrumento imprescindível na motivação do atleta, e os jogos condicionados encaixam-se perfeitamente neste aspecto motivacional. Os ambientes competitivos e o prazer de jogar do atleta estimulam o processo. Para o desportista desempenhar seu papel satisfatório durante a partida é importante que o ambiente de trabalho seja motivante. Um treino monótono desestimula o atleta, e este leva para quadra estes sintomas. Segundo Luxbacher (1999) "os jogadores devem estar excitados e estimulados no processo de aprendizagem". Os jogadores devem conviver num ambiente saudável, desafiador e competitivo e sentir-se parte integrante e importante do contexto. É neste aspecto que os jogos se encaixam perfeitamente no processo.

Capacidades condicionais (físicas)

    As capacidades condicionais influenciam diretamente na performance do atleta e são interdependentes durante a partida. Os jogos condicionados além de influenciarem nos aspectos técnicos e táticos estão interligados as capacidades físicas (força, velocidade, resistência e outras). Para Carravetta (1997 apud Leães 2003) "a aplicação do jogo adaptado influencia na resistência anaeróbica dos jogadores, fator determinante nos jogos de futsal". Os mesmos por serem de grande intensidade e movimentação estimulam várias valências físicas necessárias para o jogador de futsal, contribuindo com o trabalho físico do preparador, tomando o cuidado para não sobrecarregar o atleta. Com esta importância dos jogos, na formação integral do desportista, torna-se importante programar (periodizar) o treinamento do jogador para atingir todas as suas capacidades de maneira linear.

Fonte

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O professor e as lesões no futebol/futsal


O futebol proporciona às crianças, aos adolescentes e aos jovens, uma ótima forma de exercício aeróbico assim como de desenvolvimento do espírito de equipe.

Para que eles se mantenham com uma atividade regular, produtiva e gratificante, necessitam ser  informados e apoiados no sentido de prevenirem as lesões,  sejam as choque como as de natureza de sobrecarga.

As lesões do futebol, para além de comprometerem a função dos jovens, pode trazer ausência escolar gastos financeiros dos familiares com o seu tratamento e suporte à distância. Alguns tipos dessas lesões, podem fazer até atletas mudarem a orientação vocacional das suas carreiras profissionais.

O AQUECIMENTO E O ALONGAMENTO

A realização regular de um programa de aquecimento adequado, assim como de um regime de exercícios de alongamento, deve ser efetuados previamente ao treino ou ao jogo, ajudam a reduzir significativamente o risco de lesões.

A prática de desenvolvimento desde o início da pré-teporada, de um programa de exercícios de treino neuromuscular, tem-se revelado muito vantajoso na redução do índice de lesões nos membros inferiores dos adolescentes, particularmente em relação ao ligamento cruzado anterior.

Neste programa de treino neuromuscular, devem ser incluídos pelo treinador de futebol, exercícios específicos para: alongamento progressivo, para melhoria do equilíbrio, para ganho de agilidade e ainda para treino proprioceptivo, bem como de controle no salto e na recepção no solo.

A utilização da corda de saltar em carga bi e unipodálica e de modo alternante, é bem aceite pelos miúdos, não requer assistência particular por parte do treinador e melhora significativamente a propriocepção.

Do mesmo modo, cinco a dez minutos de "trote" (jogging) suave com apoio  dos pés, é também um excelente modo de melhorar a propriocepção dos membros inferiores.

A HIDRATAÇÃO E A DESIDRATAÇÃO

A gestão da ingestão de líquidos e electrólitos é provavelmente o aspecto mais negligenciado pelo praticante e até mesmo pelo seu treinador, especialmente na época de tempo quente.

A desidratação deve ser sempre muito preocupante nos miúdos futebolistas, quer pelos inerentes riscos cardiovasculares, quer pela perda de desempenho que provoca. É ainda um terreno favorecedor para o desenvolvimento de lesões de sobrecarga, particularmente no tendão e na cartilagem articular.

É importante o treinador estar atento aos sinais precoces da desidratação, como sejam: cansaço fácil, tonturas, discreta dor de cabeça, aceleração da frequência cardíaca, sudação excessiva.

Nestas situações o jovem deve imediatamente ser retirado do campo e levado para uma zona fresca, onde deverá iniciar a ingestão suave e gradual de água ou de uma bebida "com sais". Nesse dia não está indicado voltar a jogar futebol.

Como regra básica para o controlo da hidratação, o treinador deve estar atento de modo a que o jovem futebolista meia hora antes do desenvolvimento da actividade física (treino ou jogo), ingira dois bons copos de água ou de uma bebida dita " sport drink ". Ao intervalo deverá voltar a ingerir mais um bom copo de água ou melhor ainda, de uma bebida "com sais". No caso de utilizar uma " sport drink " esta não pode ter mais de 8% de hidratos de carbono, de modo a não haver uma diminuição na sua absorção no intestino.

O EQUIPAMENTO INDIVIDUAL E COLETIVO

A utilização de equipamento individual adaptado a cada um, especialmente as meias e as chuteiras, tem-se revelado como determinante na prevenção de lesões nos pés, nos tornozelos e especialmente nos joelhos.

Nos miúdos e nos adolescentes o uso de caneleiras, cotoveleiras e joelheiras bem moldadas a cada um, previne substancialmente as lesões de índole traumática.

A baliza é frequentemente um instrumento agressor dos jovens futebolistas, particularmente quando não é fixa ao solo. Não sendo fixa, a sua frequente queda em cima dos atletas tem dado origem a sérias lesões de natureza traumática aguda, assim como inclusivamente a mortes. O treinador deve garantir em todas as ocasiões, a estabilidade completa da baliza.

Nas suas brincadeiras no campo, as crianças trepam e se penduram nas balizas e com frequência caem das mesmas, com consequentes lesões nos membros superiores, crâneo e coluna cervical. O treinador tem que permanentemente controlar esse frequente vício e divertimento inconsequente.

O treinador de futsal apenas deve utilizar nas crianças e nos adolescentes futebolistas, bolas sintéticas, de modo a não absorverem a água do campo, já que as de cabedal ao se empaparem tornam-se muito pesadas e criam situações de elevada energia cinética, com aumento do risco lesional no pescoço e na cabeça aquando do cabeceamento.

O treinador deve ter o cuidado de diariamente verificar e se necessário reparar qualquer irregularidade no piso do campo, de modo a evitar as entorses do tornozelo e do joelho, ou mesmo as fracturas da tibia.

AS LESÕES DE SOBRECARGA

A sobrecarga continuada de treino (overtraining) imposta quase sempre pelo treinador, é a principal causa de lesão em crianças e nos adolescentes jogadores de futebol.

Mas a verdade é que esta situação resulta quase sempre da constante pressão criada por parte dos pais, para que o seu filho seja o melhor, em associação à ideia enraizada de que o atleta tem de treinar até à exaustão, para poder ganhar a todo o custo e assim conseguir vir a ser um Neymar.

O treinador tem que saber que a criança é um ser com um morfotipo próprio em crescimento e desenvolvimento, pelo que a sua função deve se apoiar sistematicamente num programa de treino bem estruturado para esse atleta, assim como no seu bom senso, no desenvolvimento do mesmo programa.

As crianças nunca devem sentir-se ou serem pressionados quando se encontram desmotivados, fatigados, ou lesionados.

O treinador deve impor o praticante em desenvolvimento, algumas "paragens no treino" para que este possa aprender a conhecer e a readaptar o seu corpo, de modo a não ter a tentação de ultrapassar as suas capacidades morfo-funcionais e criar lesões relacionadas ao crescimento. Nesses períodos de paragem, convém que mantenha atividade desportiva numa outra modalidade de mais baixa agressividade física.

O treinador de crianças tem que interiorizar que o objetivo principal de os ter no campo e na modalidade, é o seu divertimento e a manutenção da sua saúde física e mental constantemente.

AS LESÕES TRAUMÁTICAS AGUDAS

O compromisso do treinador com a prevenção das lesões agudas no futebol, deve basear-se no ensinamento a dar aos seus atletas, de que é determinante estes manterem permanentemente o respeito, pelas normas gerais e pelas limitações pontuais da modalidade durante um jogo ou durante um treino e principalmente pelo fair-play com os outros futebolistas.

Sempre que uma criança, adolescente ou jovem surgirem sinais de alarme sinalizadores de uma lesão traumática aguda, a suspensão imediata da actividade desportiva a ser imposta pelo treinador, deverá ser a norma e a avaliação oportuna por um especialista a regra.

Para tal, um médico especialista, será o profissional indicado, já que só ele tem a experiência adequada e a garantia de promover uma recuperação plena.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

O fixo no futsal e suas características


Geralmente é o atleta encarregado de desarmar as jogadas dos adversários, são atletas de excelente marcação. Hoje também são criadores de jogadas, com bom chute de longa distância. Deve ter grande senso de distribuição de jogo e cobertura. O fixo deve ter bom sincronismo com os alas e com o goleiro na marcação. O pivô adversário é quem marca o fixo, por isto ele deve saber deslocar-se, para sair nas costas do adversário e criar situações de vantagem no ataque. Antecipação é fundamental para ser um bom fixo.

CARACTERÍSTICAS FÍSICAS - altura ideal de 1.75 á 1.85. Os fixos devem ter agilidade, impulsão, força, coordenação e velocidade de reação.


CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS - antecipação, marcação, chute, passe, cabeceio e deslocamentos.

CARACTERÍSTICAS TÁTICAS - colocação, entrosamento com o goleiro, noção de cobertura, domínio da antecipação, saber usar o corpo e noção de ocupação de espaço.

CARACTERÍSTICAS PSICOLÓGICAS - coragem, controle emocional, tranqüilidade, decisão, determinação e iniciativa.

Como Ter Mais Reflexos no Gol no Futsal


Como Ter Mais Reflexos no Gol no Futsal

Uma das posições mais ingratas do futebol, afinal, quem é que gosta de ficar em baixo das traves, só levando boladas e por qualquer erro, ser crucificado pelo resto da vida? Um goleiro precisa estar atento os 90 minutos da partida e até um pouco mais para que nada possa dar errado. E algo que precisa estar sempre 100% no goleiro é os seus reflexos. Qualquer bola pode aparecer do nada e surpreender o goleiro, caso ele não esteja preparado, ainda mais se ele jogar futsal, onde há muitos toques rápidos, chutes potentes e jogadas nas quais os jogadores ficam na cara do goleiro em menos de três toques na bola. Quer aprender a ter mais reflexos e melhorar ainda mais na posição no futebol de salão? Veja o que iremos indicar e melhore ainda mais o seu rendimento durante uma partida.

1. Para um melhor desempenho, uma agilidade considerável é importante. O goleiro de qualquer esporte tem que ter um bom reflexo e ser bem ágil em todos os sentidos, seja por baixo ou pelo alto, com as mãos ou com os pés. No futebol de salão essa agilidade tem que ser maior ainda para que não haja surpresas de nenhum lado e nenhum chute possa o surpreender. Por isso, é bom que você aprimore ainda mais o seu reflexo nos treinos e trabalhe bastante essa parte técnica, através de chutes de pouco distância.

2. Pense mais rápido e aja ainda mais rápido. Ser rápido é outra característica bem importante para o goleiro de futebol de salão. O pensamento deve ser muito rápido, mas as execuções devem ser ainda mais. E não é só ser rápido nos reflexos, como dissemos. Essa rapidez deve atingir todos os outros fundamentos do goleiro: reposição de bola, pensamento nos toques com os pés para encontrar um companheiro melhor posicionado, entre outros fundamentos que exigem essa habilidade e rapidez.

3. O toque com os pés de ser eficiente para ajudar nos reflexos. O goleiro de futsal é praticamente obrigado a jogar com os pés, pelo fato dos recuos não serem permitidos e isso faz com que os reflexos precisem ser ainda mais treinados, pois a qualquer momento ele pode receber uma bola na fogueira e ter que passar para o lado, mas de maneira eficiente. O toque de bola tem que ser bastante refinado e os chutes também, pois em qualquer momento você pode ter a chance de fazer um gol, mesmo da sua área, pois os goleiros costumam sair ou mesmo ficarem bastante adiantados.

4. A saída do gol deve ser feita com consciência e nos momentos certos. Quando a outra equipe estiver com a bola no pé, seu posicionamento deve ser o mais correto possível para que não haja surpresas em chutes de longa distância e como a bola de futsal costuma ser mais sada, ela tem fortes tendências a ir mais rápido. Ficar embaixo da sua meta complica bem mais os outros jogadores, pois o ângulo deles fica bem mais reduzido, principalmente pelo fato do gol ser menor.

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