terça-feira, 2 de setembro de 2014

Aplicação de força em categorias de base no futsal


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   Para o desenvolvimento de um programa de treinamento de força destinado às crianças e adolescentes, deve seguir os mesmos passos do desenvolvimento de um programa para adultos. Porém algumas orientações devem ser seguidas para que o treinamento possa ser realizado em condições favoráveis, tanto para a segurança quanto para o melhor aproveitamento dos participantes.


    Os exercícios do programa de treinamento devem ser escolhidos de acordo com a faixa etária, com o nível de condicionamento, com o nível de conhecimento e coordenação, assim como a experiência prévia em exercícios físicos (CAMPOS, Arruda, 2004).

    Com crianças, a sobrecarga de um treinamento integrado para melhorar a força específica do futsal é suficiente com exercícios simples, fortalecendo as musculaturas que não estão envolvidas no jogo.

    A aplicação da força no treinamento está dividida em categorias pelas diferenças etárias, que possuem níveis maturacionais diferentes. Weineck (2004) subdivide as faixas etárias da seguinte forma:

a.     Categoria de 6 até 10 anos

    O principal objetivo nesta categoria é o fortalecimento do aparelho locomotor e da musculatura responsável pela postura de jogo, de forma multidisciplinar, variada e harmônica (com os dois lados do corpo).

    O treinamento deve ser integrado com bola, ser divertido e estar relacionado com a formação geral da coordenação.

    Até o décimo ano de vida é caracterizado pelo jogo livre, devendo também ser jogado com as mãos para enfatizar a visão periférica, que posteriormente vai contribuir para o desenvolvimento da criança no jogo.

    O treinamento de força deve ser realizado de maneira dinâmica, em função da baixa capacidade anaeróbica apresentada pelo indivíduo infantil (WEINECK, 2003).

    Segundo as pesquisas de Dieckmann; Letzelter (apud WEINECK, 2003) demonstram que o treinamento de força rápida é apropriado, de forma especial, nessa etapa. As recomendações de um treinamento de força nessa etapa é de duas vezes por semana, durante 12 semanas (30 a 45 minutos), para obtenção de ganhos na força rápida (força de salto, de chute e de sprint).

b.     Categoria de 10 até 12 anos

    Nesta faixa etária que é caracterizada pelo início da puberdade (em meninas com 11/12 anos e em meninos com 12/13 anos), ocorre um fortalecimento dos mais importantes grupos musculares.

    Trabalhos com o próprio peso corporal ou com utilização de medicine ball, e ainda com anilhas, fornecem uma sobrecarga adequada para esta faixa etária (WEINECK, 2004).

    Exercícios para o fortalecimento da musculatura abdominal, dorsal, extensora de braço, exercícios para força de salto podem ser mais elaborados, porém devem continuar sendo organizados de forma recreativa recomenda Weineck (2004).

c.     Categoria de 11 até 15 anos ou Pubescência

    A pubescência pode ser dividida em Pubescência (primeira fase puberal) e Adolescência (segunda fase puberal).

    Devido ao estirão de crescimento na primeira fase puberal ocorre uma desarmonia passageira nas proporções corporais. Esta faixa etária sofre uma série de modificações morfológicas e funcionais devido a secreção de hormônios do crescimento e sexuais, é extremamente delicada a sobrecargas de treinamento de forma errada e exercícios de caráter unilateral duradoura, pois estas sobrecargas terão reflexo direto na região da coluna (WEINECK, 2004).

    "Crianças e adolescentes com um crescimento retardado devem ser sobrecarregados de forma cautelosa, especialmente no treinamento de força" (WEINECK, 2004, p. 346). Nesta faixa etária, a força geral deve ser paralelamente desenvolvida com a força específica e os seus requisitos próprios do condicionamento (BENEDEK, 1987). "Sendo que a força básica geral é treinada através de circuitos, lutas de empurrar e puxar e exercícios com aparelhos". (WEINECK, 2003, p. 372).

d.     Categoria de 15 até 18 anos ou Adolescência

    Neste período ocorre o desenvolvimento lateral, onde se apresentam uma harmonia das proporções corporais e o aumento das concentrações de testosterona.

    A adolescência representa a faixa etária com a mais alta treinabilidade. Nesta faixa etária podem-se comprovar as mais altas taxas de crescimento da força (KOMADEL; ZURBRUGG apud WEINECK, 2004).

    Devido à estabilização do sistema esquelético, pode-se utilizar métodos de treinamentos adultos, porém com o volume sobrepondo a intensidade. Além disso, nesta fase, como a capacidade aeróbia já está bem desenvolvida, pode-se utilizar exercícios que causem fadiga local (estes devendo ser empregados com cautela).

    Como se pode avaliar nas explicações anteriores, no treinamento de força, em crianças e em adolescentes, ocorrem transformações dos conteúdos. Embora encontra-se exercícios de força na forma de jogos em todas as faixas etárias, com o passar do desenvolvimento, estes são substituídos por exercícios mais específicos e com uma ligação técnico-tático (WEINECK, 2004).

    Portanto, programas que são planejados para atletas profissionais nunca devem ser realizados por pré-púberes ou púberes, pois a capacidade de atletas profissionais em elevar peso, faz parte de anos em experiência de treinamento e de um desenvolvimento morfofuncional maduro. Forçar indivíduos pré-púberes e púberes a realizar um treinamento de atletas com mais experiência, os levará ao estresse e conseqüentemente resultar em graves lesões.

    O futsal hoje é um esporte que faz parte da cultura brasileira exercendo uma grande influência na formação dos jovens. Observa-se que a cada ano ocorre um aumento considerável de crianças e jovens participando de programas de treinamento e iniciação esportiva.

    Para que o jovem tenha um desenvolvimento psicofísico harmonioso, deve-se dar a ele uma dose de movimento, de maneira controlada e planejada (GOMES, 2008).

    O treinamento de força em crianças e adolescentes tem obtido aceitação e popularidade principalmente porque os ganhos em força podem ocorrer, o desenvolvimento ósseo pode ser acentuado e as lesões em outros esportes e atividades podem ser prevenidos com o aperfeiçoamento de programas de treinamento apropriados. Quando planejar um programa, considere o desenvolvimento e as diferenças físicas entre as crianças, a tolerância ao exercício e os aspectos de segurança, de tal modo que as lesões agudas e crônicas sejam minimizadas e os benefícios para os participantes sejam maximizados.

Veja a bibliografia aqui

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Tipos de chute no Futsal


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O Chute é o primeiro fundamento o Futsal que a criança aprende. Muito por estimulo familiar, mesmo que não seja com a "técnica", é cultural uma criança, ao ver uma bola, chutar para aonde está virado.

Saiba mais todos os Esportes
 
Sendo assum, num jogo de futsal, chutar é o ato de bater na bola com os pés com determinado objetivo. Esse destino pode ser a retirada da bola de jogo, acertar outro jogador e, claro, fazer o gol. Dentro do jogo, ele tem dois objetivos: o defensivo (aquele que buscar afastar o perigo do ataque adversário) é feito de forma mais instintiva, portanto não exige muita técnica e o ofensivo (busca fazer o gol) requer percepção do posicionamento do goleiro adversário, noção de força, precisão e habilidade.
 
Pode ser, assim como o passe, feito com a parte interna no pé, com a externa (trivela), com o peito do pé, calcanhar e bico. Geralmente só chute é feito próximo a trave para dificultar a defesa do goleiro, mas outras técnicas, como chutar no "contra-pé" do goleiro, por cobertura ou colocado, também são importantes para uma boa finalização.
 
Tipos de Chutes
 
Chute Simples: Esse chute é batido com a parte interna ou dorso do pé. Com ele há mais probabilidade de conseguir que esse fundamento seja bem executado.

Chute de bate-pronto: Realizado imediatamente no momento em que a bola toca o chão.

Chute de voleio: Realizado com a bola no ar.

Chute de Bico: Costuma ser o chute mais fácil e realizado com a ponta do pé. Ele não costuma ser muito preciso pelo pouco espaço de contato. Chute por Cobertura: Com o pé por baixo da bola é possível fazer com que ela ganhe altura.
 

terça-feira, 24 de junho de 2014

Saiba mais sobre o Campeonato Mundial de Futsal


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A Copa do Mundo de Futsal da FIFA é um torneio internacional organizado pela FIFA para seleções nacionais masculinas de futsal.

A primeira edição desse Mundial foi realizado em 1989, nos Países Baixos, com a participação de 16 países. Ja a partir da segunda edição, em 1992, a FIFA passou a organizar seus mundiais em anos pares e a cada quatro anos (entre duas Copas do Mundo de futebol). Desde a a edição de 2012, são 24 equipes que estão classificados da Copa do Mundo.

Todos os eventos anteriores a Copa do Mundo de 2008 tiveram 16 seleções nacionais. O Mundial de 1989 contou com seis países da Europa, três da América do Sul, dois da África, dois da Ásia, dois da América do Norte e Central, e um da Oceania (no Mundial de 2004, foram cinco representantes europeus, quatro asiaticos (incluindo os anfitriões chineses), 3 sul-americanos, 2 norte-centro-americanos, 1 africano e 1 oceanico).

Em Campeonato Mundial de Futsal de 2008, pela primeira vez, 20 equipes participaram - seis países da Europa, quatro da América do Sul, duas da África, quatro da Ásia, tres da América do Norte e Central, e 1 da Oceania. Quatro anos depois, a FIFA ampliou o Mundial para 24 participantes (Europa, África, América do Norte e América Central e do Caribe ganharam mais uma vaga).

Até 2012, foram realizadas sete edições da Copa do Mundo de Futsal. Somente dois países venceram o torneio, a Seleção Brasileira de Futsal (5 vezes) e a Seleção Espanhola de Futsal (2 vezes).

Curiosidades:
  • O maior artilheiro de todos os tempos em Mundiais é o brasileiro Manoel Tobias: 43 gols;
  • Manoel Tobias também é o atleta com o maior número de partidas em Mundiais: 31 jogos ;
  • A partida com o maior número de gols em Mundiais é Rússia 31 x 2 Ilhas Salomão, placar registrado no torneio de 20081 ;
  • O brasileiro naturalizado russo chamado Pula fez 9 gols na partida e se tornou o jogador que mais vezes balançou a rede em um único jogo no campeonato ;
  • Ricardinho, de Portugal, foi o jogador mais jovem a entrar em quadra em Mundiais. No Campeonato Mundial de Futsal de 2000, ele tinha apenas 15 anos e 2 meses de idade ;
  • O jogador japonês Kazu é o atleta mais velho a disputar uma partida. Ele participou do Campeonato Mundial de Futsal de 2012, com 45 anos .
  • 12 jogadores já disputaram o Mundial de futsal e a Copa do Mundo de futebol de campo, sendo que três deles fizeram gols em ambos os torneios: Lakhdar Belloumi, da Argélia, Brian Laudrup, da Dinamarca, e Bruce Murray, dos EUA ;
  • Brasil, Argentina e Espanha são os únicos países que jogaram todas edições do Mundial ;
  • 43 países já disputaram o Mundial
  • A Espanha detém o recorde de maior numero de finais consecutivas (cinco vezes).

terça-feira, 3 de junho de 2014

O aquecimento no futsal


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O principal objetivo do aquecimento é preparar o organismo para o esporte, seja em treinamento, na competição ou no lazer.

Características do Aquecimento

Deve ser total - Deve aquecer todos os órgãos, músculos e articulações do corpo.

Deve ser dinâmico - Tem que despertar, realizando exercícios intercalados sobre a base de uma progressão suave.

Deve ser metódico - A sua realização será como um rito (sistemática) para o jogador de Futsal, e em progressão. Irá do global para o particular.

Deve ser proporcional e específico - Estará em função da qualidade e estado do jogador de Futsal, mas também em função do esforço e do exercício posterior a executar.

Deve alternar fases dinâmicas com fases de descanso - Não deve superar as 10 repetições por exercício, e deve haver variação nos exercícios.


Fases do aquecimento

Corrida contínua generalizada: corrida suave.

Movimentação geral: Movimentos específicos de rotação, elevação, extensão/flexão sobre pernas, tronco e braços.

Descanso e recuperação.

Estiramentos: Exercícios de potencialização da temperatura intramuscular, nas pernas principalmente para os jogadores e nos braços e pernas para o guarda-redes.

Corrida com alternâncias de ritmo: Primeiro suave, depois rápida em sprint, depois suave, depois rápida em sprint, e assim sucessivamente.
Descanso e recuperação.

Toque da bola em progressão: Passes e recepção da bola em progressão (movimentação contínua).

Assimilação da corrida (movimentação) para rematar a bola: Passes e jogadas com remates à baliza.

Retorno á calma, após exercício físico.

Alongamentos finais.

O aquecimento é de extrema importância para uma maior aproximação do atleta/equipa ao jogo, ou seja, as condicionantes que o jogo exige pressupõe que o atleta esteja em condições, físicas, técnico-tácticas e psicológicas para encarar o jogo.

De facto, a abordagem ao aquecimento que precede o treino e/ou o jogo, deve prever uma estruturação definida e precisa que esclareça o atleta/equipa para o exercício/treino ou para a abordagem global ao jogo.

Ora se esta abordagem minuciosa deveria ser encarada com grandeza, verificamos que, por vezes, as equipas apresentam um aquecimento pouco realista e que se coaduna muito pouco com a filosofia e as exigências do jogo ou treino. Desta forma, o atleta/equipa irão apresentar-se pouco objectivos, desconcentrados, "perdidos", onde tamanha desorientação assume a atitude e relevância que identifica a sua forma inicial de abordar a competição ou exercício/treino.

Contudo, se no treino o prejuízo é racionalizado e não é quantificativo (só o é na qualidade que oferece ao treino), no jogo esta atitude identifica uma equipa amorfa, pouco objectiva e que procura durante o tempo de jogo alcançar tais índices competitivos outrora previstos.

Ora o aquecimento é o motor de arranque para uma boa toada competitiva, onde a equipa deverá privilegiar as acções que o jogo invoca e deverá assumir as exigências que em cima referi. (técnico-táctica, física e psicológica).

Neste sentido, pergunto se não deveríamos ter em conta o modelo de jogo do adversário (intensidade de jogo que o identifica), o tipo de piso, as condições climatéricas (exigem mais tempo de aquecimento), e sobretudo a homogeneidade ao nível da concentração para objectivar tudo o que durante uma semana ou mês nos intensificamos a trabalhar.

O aquecimento é mais do que uma forma de prevenir lesões, é mais do que potencializar capacidades, o aquecimento (antes competição) é o tempo de jogo sem cronómetro onde cada equipa detém um ponto e procura a conquista dos restantes (2), sim porque é aí que as duas equipas já competem, cada uma no seu campo reduzido à metade.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

A condução da bola no Futsal

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Segundo Tenroller (2004), é o movimento de levar a bola próximo aos pés, de maneira que ela esteja sempre ao alcance do condutor, que assim poderá agir prontamente, quer seja caminhando ou em velocidade. Uma condução com habilidade apurada requer ampla percepção espacial. Muitos torcedores definem esse jogador como inteligente, de fato, requer as inteligências motoras amplas, espacial e temporal a fim de ser bem sucedido nos jogos.

    Conduzir a bola refere-se à ação de carregá-la de um local para outro na quadra, principalmente em direção à goleira adversária (Mutti, 2003). Para Santos Filho (2002) a condução é a habilidade do jogador em controlar ou manter a bola sempre sob seu domínio. Sua condução poderá ser em linha reta, curva, em diagonal ou em ziguezague, porém sempre com movimentação solta e por meio de toques sucessivos.

    Já para Costa (2007), condução de bola nada mais é do que o simples fato de transportar a bola pelos espaços possíveis na quadra, de um lado ao outro. Para que esta condução seja realizada de forma eficiente, ao tocar na bola, o jogador deve fazê-lo sem muita força, para que esta não fuja do seu controle. Também é necessário manter sempre uma boa visão de jogo, da bola e, principalmente, dos atletas, quer adversários ou de sua própria equipe.

    Para Lucena, (2001), é a ação de progredir com a bola por todos os espaços possíveis do jogo. Ao conduzir a bola, deve-se estar sempre em condições de passar, finalizar, manter a posse ou dar seqüência às ações de jogo. Segundo o mesmo autor, ela classifica-se em: Condução em relação à trajetória ou à execução, podendo estas ser retilíneas ou sinuosas.

    Quanto à execução, as conduções retilíneas e sinuosas podem ser realizadas com a face interna, face externa ou solado. Segundo Lucena (2001), deve-se considerar cabeça erguida, bola próxima do corpo, coordenação em velocidade, proteção de bola, equilíbrio, noção de espaço e estar em condições de passar, finalizar ou manter a posse de bola.

Drible

    Denominamos drible como o recurso em que o jogador utiliza para, quando de posse de bola, ultrapassar o adversário sem perder o controle da mesma. De acordo com Mutti (3003), o ato de driblar é uma ação individual realizado com bola, que é o resultado de uma combinação de variáveis como equilíbrio, velocidade de arranque, agilidade, descontração muscular, ritmo entre outros, que tem por objetivo ultrapassar o adversário a sua frente. Para Costa (2007), drible é o gesto pelo qual o atleta busca ultrapassar um ou mais adversários, estando com a posse de bola sob seu domínio.

    Segundo Lucena (2001), é uma ação individual, exercida com a posse da bola, visando ludibriar, um oponente tentando ultrapassá-lo. É um dos elementos do jogo, que para ser bem aplicado exige do praticante bom tempo de reação, velocidade de execução, noção de espaço, coordenação e a capacidade de improvisar na utilização das diferentes técnicas individuais..

    Para Tenroller (2004), trata-se de uma série de movimentos e ações que culmina com a superação do adversário e a seqüência da jogada com a posse da bola. Curiosamente, em opiniões e depoimentos, alguns jogadores dizem sentir mais alegria e prazer em superar os adversários com a posse da bola, isto é, driblá-los, do que fazer o gol. Os dribles podem ocorrer por vaidade quando há uma diferença muito acentuada das habilidades individuais entre os jogadores.

Finta

    Diferentemente do drible, a finta é um movimento realizado sem a posse da bola. Ele tem por objetivo principal deslocar o adversário e fugir de sua marcação. Para Costa (2007) fala que finta é o ato de se movimentar sem a bola com o intuito de ludibriar o adversário. Ela é feita através de um balanço do corpo para frente ou para os lados, para assim tirar proveito da jogada tirando distância do oponente. Este termo é amplamente empregado em esportes como basquetebol e o handebol.

    Segundo Tenroller (2004), é uma ação de inteligência motora e cognitiva que ocorre no espaço e no tempo apropriado. Seu objetivo maior é o de levar o adversário - geralmente é o marcador - a pensar que quem fez a finta irá para um lugar quando este vai para outro. Esse deslocamento ocorre sem a bola justamente para que se possa, na maioria das vezes, recebê-la em situação privilegiada, ou seja, sem a pressão do adversário.

    Tal fundamento é muito requisitado nos jogos de alto nível, uma vez que, logo após a finta, haverá a possibilidade de acontecer o chute a gol ou, ainda, um passe ou assistência a um colega de equipe em melhores condições de dar seqüência à jogada. Ela pode segundo Santini e Voser (2008) ser classificada quanto ao seu objetivo, seja ofensivo ou defensivo.

Marcação

    Mesmo com muitos autores citando este fundamento em seus estudos como sendo de caráter coletivo, tendo em vista que ela é unidade da defesa, a marcação é realizada de forma individual pela aproximação do adversário, objetivando roubar-lhe a bola, impedir seu recebimento ou impedir sua ação. É de fundamental importância para um bom resultado final em uma partida.

    Ela ocorre em dois casos distintos, ao se marcar o adversário que está com a bola e os adversários que estão sem ela. Costa (2007), diz que marcar o adversário é evitar sua progressão quando este está com a posse de bola, ou quando este está sem a posse de bola, marcação significa não deixar que este receba em condições dar seqüência na jogada.

    É comumente dividida em marcação individual, por zona ou mista. Na marcação individual cada jogador de defesa tem sob sua responsabilidade um adversário pré-determinado, a quem caberá marcar, controlar e anular, impedindo-o de jogar, quando o time adversário tenha a bola. Neste tipo de marcação o fator mais importante é o jogador adversário a ser marcado. Já a marcação por zonas ou por setores é realizada considerando as faixas da quadra: defesa, meio-campo e ataque. Dividindo a quadra em zonas, atribui-se a cada jogador um espaço, de acordo com suas características e as da função a ser desempenhada, mas os limites das zonas não são estanques, cabendo aos responsáveis por cada zona o cuidado também com as demais zonas. E por fim a marcação mista consiste na soma das duas anteriores, segundo a qual parte da equipe joga marcando por zona, e outra, marcando individualmente, sobre um ou mais adversários. Geralmente utilizada para anular os grandes destaques individuais da equipe adversária.

    Segundo Tenroller (2004), trata-se da ação de evitar que o adversário receba a bola ou, quando este a possui, impedir ou dificultar suas ações técnicas de condução, passe, chute ou drible. Há possibilidade de essa ação acontecer de modo individual quando um jogador ficar sempre muito próximo ao adversário. Essa é a denominada marcação homem a home ou individual. Outro modo de execução dá-se por zona. Este consistem em impedir o êxito da equipe adversária controlando suas ações em determinados espaços da quadra. Para Lucena (2001), é a ação de impedir que o oponente direto tome posse da bola, e quando de posse da mesma, venha a progredir pelo espaço de jogo, classificando-se segundo o autor em três aspectos: individual, por espaço ou zona e mista.

    Segundo o mesmo autor, a técnica de marcar pode ser dividida em dois estágios: a aproximação e a abordagem.


Fonte

sábado, 12 de abril de 2014

A importância dos Jogos Condicionados no treinamento de futsal

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    O esporte faz parte da vida do homem desde os primórdios da humanidade. A importância do jogo é fundamental para o individuo em vários aspectos: motores, tomadas de decisão, psicomotor, cognitivo e afetivo-social. Sabendo disso, o professor que transmite esse conhecimento aos alunos deve escolher um método de ensino que melhor se adapte ao público alvo. Segundo Costa (2003) dentro da metodologia de ensino do Futsal, podemos visualizar três métodos básicos de ensino: o método parcial, o método global e o método misto. O método parcial consiste no ensino do desporto Futsal por partes, através do desenvolvimento dos fundamentos, habilidades motoras que compõem o jogo por etapas, para ao final da aprendizagem, agrupá-los num todo, ou seja, em um único conjunto, que será o próprio jogo de Futsal. O método global consiste em desenvolver e proporcionar a aprendizagem do desporto através do próprio jogo. Ensinar alguma habilidade motora apresentando-a desde o inicio, e utilizando-a como forma de aprendizagem. O método misto possibilita a prática de exercícios isolados, bem como a iniciação ao jogo através das formas jogadas de futsal utilizando o método global e parcial.

    Graça e Oliveira (1998) complementam que existem diferentes formas de ensinar os jogos desportivos coletivos: a) Forma Centrada nas Técnicas – o aprendizado acontece através do ensino das técnicas analíticas para o jogo formal, o desporto é decomposto em elementos técnicos (passe, chute e outros), e existe uma hierarquização das técnicas. Como conseqüência acontece um jogo mecanizado, pouco criativo com comportamentos estereotipados, existindo problemas na compreensão do mesmo. b) Forma Centrada no Jogo Formal – no aprendizado existe uma utilização exclusiva do desporto formal, o mesmo não é condicionado nem decomposto, a técnica surge para responder a situações globais não orientadas. Como conseqüência ele é criativo, mas com base no individualismo, virtuosismo técnico contrastado com anarquia tática, com soluções motoras variadas, mas com inúmeras lacunas táticas e descoordenação das ações coletivas. c) Forma Centrada em Jogos Condicionados - o aprendizado acontece através do jogo para situações particulares, o mesmo é decomposto em unidades funcionais, ele é sistemático e de complexidade crescente, os princípios dos jogos regulam as atividades.

    Como conseqüência as técnicas surgem em função das táticas, de forma orientada e provocada, existe ênfase na inteligência tática com uma correta interpretação e aplicação dos princípios do jogo, favorecendo a viabilização da técnica e da criatividade nas ações do desporte. Para Balzano (2007), os jogos condicionados se objetivam em desenvolver situações específicas do desporto Futsal. Criam-se alternativas onde a finalidade é repetir estas circunstâncias por diversas vezes. Neste modelo o aluno/atleta executa e aprende os objetivos propostos, mas também, pratica o desporto Futsal e suas relações como: ataque, defesa, fundamentos técnicos, regras...

    Os mesmos pretendem estimular nos alunos/atletas à inteligência tática, técnica individual, noção de regras, autonomia, responsabilidade, poder de decisão, resolução dos problemas, criatividade e inclusão de uma forma dinâmica, motivadora e criativa. Desta maneira ele se faz importante para equipe, pois o mesmo se torna peça integrante do todo. O jogo condicionado permite ao aluno/atleta a utilização da criatividade que é a verdadeira arte num desporto. O mesmo estimula os jogadores a participar, pois se treina os gestos motores jogando, com pressão de um adversário, próximo da situação real que irá encontrar dentro do jogo formal. Essa prática integra os atletas com o que estão fazendo, levando-os a pensar, comprovar, trabalhar, ousar, lembrar, experimentar, criar e absorver. Para Santana (2004), estas práticas são fundamentais para o desenvolvimento dos jogadores, caracterizando-as como atividades competitivas, envolvendo regras aceitas pelo grupo, permeadas pela tensão e prazer, onde a fantasia se mistura à realidade. Segundo Costa (2003) os tipos de jogos condicionados são: Jogos técnicos, recreativos, táticos de ataque, táticos de defesa, com vantagem e desvantagem numérica e para funções específicas.

    Conforme Leães (2003) os jogos condicionados influenciam os atletas nas seguintes capacidades:

Capacidades coordenativas

    As capacidades coordenativas dizem respeito à técnica do jogador (passe, chute, drible, deslocamento e outros). Segundo Michels (1981 apud Leães 2003) “os jogos condicionados aumentam a participação do jogador, em função da proximidade da jogada, contribuindo para o desenvolvimento técnico-tático”. Os jogos condicionados permitem que o jogador tenha um maior contado com a bola, e execute mais os objetivos pré-estabelecidos em um período de tempo menor e com uma visão global do jogo. Aumentando a participação do jogador, conseqüentemente acontece uma evolução técnica. Quanto mais o atleta tocar na bola, aumenta o índice de tomadas de decisão, com isso acontece um número maior de erros, e obriga o jogador a buscar novas soluções e métodos para minimizar os erros. Paralelamente a evolução técnica, desenvolve-se o raciocínio e a autonomia do atleta.

Capacidades das habilidades perceptivo-motoras e tomadas de decisão

    O processo perceptivo nos permite a relação da consciência corporal e o meio ambiente externo e interno (nosso corpo). Para Elliot/Mester (1998 apud Leães 2003) os jogos condicionados possibilitam ao jogador o reconhecimento da interação do seu corpo com o adversário, colegas e a bola. A tomada de decisão é a seleção da forma correta de agir, que o atleta encontra no momento que este é chamado para interferir no desporto.

    Com os jogos condicionados aumenta a freqüência de interação do jogador e as tomadas de decisão durante as partidas, acontecendo um progresso do mesmo dentro do jogo.

Capacidades táticas

    As movimentações executadas com e sem bola pelos jogadores e as capacidades coordenativas determinam o desempenho do atleta. Ao jogador não basta uma capacidade tática individual, mas também uma capacidade coletiva. Os jogos condicionados contribuem no desenvolvimento tático do atleta, pois o mesmo tem uma participação constante nas situações que ocorrem durante a partida. Estes exercitam as situações que acontecem durante os jogos varias vezes. Os jogos são um processo de ensino – aprendizagem contribuindo para formação tática do desportista.

Capacidades psicológicas

    Conforme Dorín (1995 apud Leães 2003), a motivação é um dos fatores que influenciam no processo de ensino – aprendizagem. A competição é instrumento imprescindível na motivação do atleta, e os jogos condicionados encaixam-se perfeitamente neste aspecto motivacional. Os ambientes competitivos e o prazer de jogar do atleta estimulam o processo. Para o desportista desempenhar seu papel satisfatório durante a partida é importante que o ambiente de trabalho seja motivante. Um treino monótono desestimula o atleta, e este leva para quadra estes sintomas. Segundo Luxbacher (1999) “os jogadores devem estar excitados e estimulados no processo de aprendizagem”. Os jogadores devem conviver num ambiente saudável, desafiador e competitivo e sentir-se parte integrante e importante do contexto. É neste aspecto que os jogos se encaixam perfeitamente no processo.

Capacidades condicionais (físicas)

    As capacidades condicionais influenciam diretamente na performance do atleta e são interdependentes durante a partida. Os jogos condicionados além de influenciarem nos aspectos técnicos e táticos estão interligados as capacidades físicas (força, velocidade, resistência e outras). Para Carravetta (1997 apud Leães 2003) “a aplicação do jogo adaptado influencia na resistência anaeróbica dos jogadores, fator determinante nos jogos de futsal”. Os mesmos por serem de grande intensidade e movimentação estimulam várias valências físicas necessárias para o jogador de futsal, contribuindo com o trabalho físico do preparador, tomando o cuidado para não sobrecarregar o atleta. Com esta importância dos jogos, na formação integral do desportista, torna-se importante programar (periodizar) o treinamento do jogador para atingir todas as suas capacidades de maneira linear.

Fonte

segunda-feira, 17 de março de 2014

Iniciação ao futsal: as crianças jogam para aprender ou aprendem para jogar?


    O futsal, esporte que surgiu da fusão entre o futebol de salão e o futebol cinco, isso no final da década de 80 do século XX (SANTANA, 2002a), desenvolveu-se substancialmente nos últimos dez, doze anos. Muito disso, deve-se às significativas alterações ocorridas nas suas regras. Estas teriam feito do futsal, em comparado ao futebol de salão, um esporte mais dinâmico, competitivo e atraente.

    Em particular, há indícios de que as crianças brasileiras constituem grande parte dos que praticam futsal. Isso pode ser entendido, em parte, se considerarmos o processo de urbanização de boa parte das cidades brasileiras (FREIRE, 2003), que fez com que possíveis locais onde as crianças brincavam e jogavam as suas primeiras "peladas" dessem lugar a complexos residenciais e comerciais. Logo, crianças (pelo menos aquelas que vivem em grandes cidades) encontram nas quadras de futsal de escolas, clubes, condomínios e associações possíveis espaços para, orientadas por professores, "jogar bola".

    Nesse contexto, de popularidade do futsal, destacam-se em geral as questões pedagógicas e em particular as metodológicas (como ensinar). Voser e Giusti (2002, p. 13) ratificam essa assertiva ao explicarem que "[...] o fenômeno esportivo infantil tem sido neste início de século, motivo de muitos estudos e questionamentos tanto no que diz respeito aos seus ideários como em relação à sua função pedagógica". É nessa direção que caminha nosso estudo: optamos em investigar, dentre dois princípios metodológicos clássicos e antagônicos o analítico-sintético e o global-funcional (DIETRICH, DURRWACHTER e SCHALLER, 1984) , qual o mais freqüentemente utilizado por professores de educação física para ensinar futsal. A pergunta central que procuramos responder foi se "as crianças jogam para aprender (princípio global) ou aprendem para jogar (princípio analítico)?". Na seqüência, explicaremos ambos, iniciando por este último.


O princípio analítico-sintético

    Quando falamos em métodos parciais, métodos analíticos, exercício por partes, atividades centradas na técnica, geralmente estamos considerando o princípio analítico- sintético. Reis (1994, p. 9), o define como "[...] aquele em que o professor parte dos fundamentos, como partes isoladas, e somente após o domínio de cada um dos fundamentos o jogo propriamente dito é desenvolvido".

    O princípio analítico apresenta a série de exercícios como medida metodológica principal (DIETRICH, DURRWACHTER e SCHALLER, 1984). Esse modelo surgiu, primeiramente, nos esportes individuais. É, particularmente, representado pelo método parcial e assume várias definições que apontam para um mesmo ponto: as habilidades são treinadas fora do contexto de jogo para que, depois, possam ser transferidas para as situações de jogo.

    De acordo com Dietrich, Durrwachter e Schaller (1984, p.17), "Os representantes desse método partem do princípio que a divisão corrente do jogo em 'técnica', 'tática' e 'treino' deve também determinar a metodologia". Esse método pode ser considerado como "exato", por sua preocupação demasiada com os detalhes de cada fundamento. Greco (1998, p.41), explica que, nesse método

O aluno conhece, em primeiro lugar, os componentes técnicos do jogo através da repetição de exercícios de cada fundamento técnico, os quais são logo acoplados a série de exercícios, cada vez mais complexos e mais difíceis; à medida que a ajuda e a facilitação diminuem, gradativamente aumenta a complexibilidade e a dificuldade das ações. À medida que o aluno passa a dominar melhor cada exercício, passa a praticar uma nova seqüência. Estes movimentos já dominados passam a ser integrado em um contexto maior, que logo permitirão o domínio dos componentes básicos da técnica inerente ao jogo esportivo, na sua situação do modelo ideal...

    Em síntese, uma aula orientada pelo princípio analítico-sintético caracterizar-se-ia: (a) pelo ensino de uma habilidade (ou fundamento técnico) por etapas até a sua automatização e, por fim, a sua aplicabilidade no jogo em si (FONSECA, 1997), (b) por uma seqüência de exercícios dirigidos ao aprendizado da técnica para, no final da aula, se proceder ao jogo (GRECO, 1998) e (c) pela supressão do jogo e da brincadeira (SANTANA, 2004).

    Depreende-se que, se orientada por esse princípio, a aprendizagem do jogo de futsal seria construída pela repetição de exercícios, desvinculada do contexto de jogo. Por extensão, a pedagogia, na iniciação esportiva, tenderia a empregar "(...) muito tempo na técnica e pouco no jogo (GRECO, 2001, p. 54)".


O princípio global-funcional

    Ao falarmos de método global, nos referimos ao princípio metodológico global-funcional. Neste, criam-se "[...] cursos de jogos, que partem da simplificação de jogos esportivos de acordo com a idade, e através de um aumento de dificuldades na formação de jogos até o jogo final (DIETRICH, DURRWACHTER e SCHALLER, 1984, p. 13)". A série de jogos (recreativos, grandes jogos, pré-desportivos...), portanto, representa a medida metodológica principal. Esse método (global) tem se mostrado mais consistente quando comparado aos analíticos, pois atende o desejo de jogar dos alunos, conseqüentemente, estes ganham em motivação e o processo ensino-aprendizagem é facilitado (GRECO, 2001).

    Na teoria global, alguns autores (REIS, 1994; GRECO, 1998; LÓPEZ, 2002), insistem na importância da figura, da forma, da configuração, da organização da experiência, que está sempre estruturada na idéia do todo indissociável. Nessa concepção, trata-se de perceber os estímulos, não como a soma das partes, mas como um conjunto organizado. O ponto de partida é a equipe, que aprende a jogar através do deixar jogar.

    O método global parte da totalidade do movimento e caracteriza-se pelo aprender jogando; parte-se dos jogos pré-desportivos (jogos com algumas alterações nas suas regras) para o jogo formal; utiliza-se, inicialmente, de formas de jogo menos complexas cujas regras vão sendo introduzidas aos poucos (REIS, 1994).

    Quando se trata de treinamento moderno, o método globalizado (LÓPEZ, 2002) vem sendo o mais empregado, na medida que interagem aspectos como a criatividade, a imaginação e o pensamento tático dos jogadores. Este autor define três objetivos principais desse método: (a) a constante tomada de decisões dos alunos, desenvolvendo assim sua inteligência tática, permitindo solucionar problemas que ocorrem durante a partida, (b) facilitar a compreensão por parte do jogador, da verdadeira estrutura do jogo com fases defensivas e ofensivas que requerem do jogador posturas diferenciadas e (c) permite, também, que os alunos enfrentem com mais segurança a competição, já que enfrentam a mesma situação em treinamentos.

    Greco (1998, p.43) explica que, nesse método, "[...] procura-se em cada jogo ou formas jogadas, pelo menos a 'idéia central do jogo' ou que suas estruturas básicas estejam presentes na metodologia". Note-se que a divisão dos jogos não deve abranger muitas partes, de forma que o aluno consiga alcançar logo o jogo objetivado. Deve-se ter cuidado, também, para que as formas de jogo prévias não sejam mais difíceis que o jogo objetivado (o jogo formal).

    Para os que são conservadores em relação ao método global, apoiando-se na idéia de que é preciso adquirir a técnica das diferentes habilidades para depois jogar (crença do princípio analítico), é preciso atentar para o fato de que os alunos não vêm em branco para as aulas. Eles já possuem um repertório rudimentar de habilidades, o que lhes permite jogar e atualizar neste (no jogo) o seu repertório motor (GRAÇA, 1998). Destaca-se, nesse princípio, o fato de que os alunos, ao jogar, são obrigados a tomar decisões. Para tomá-las, deverão considerar fatores, como, por exemplo, o adversário, a sua colocação, a colocação do adversário, o posicionamento dos seus companheiros e o que fazer com e sem posse de bola, ou seja, quem joga interage com os imprevistos que somente o jogo propicia. A possível decorrência disso é tornar-se mais inteligente para jogar. Por conseguinte, as habilidades são desenvolvidas num contexto de jogo de forma aberta (vivenciadas num contexto de imprevisibilidade), projetando uma herança de movimentos e de leitura tática promissora para quem aprende.

    Como explicitado, os princípios e métodos de ensino são opostos e têm objetivos distintos. O analítico é centrado na técnica, em exercícios, na repetição dos gestos esportivos e na especialização precoce do aluno em cima de algumas técnicas. O global é centrado na tática, no jogo, cujo ambiente torna-se mais prazeroso, a especialização precoce de algumas habilidades é refutada e o objetivo é desenvolver a inteligência do aprendiz.


Material e método

    O método de pesquisa foi observação não-participante. Nesta, o pesquisador toma contato com a comunidade, mas sem integrar-se a ela: permanece de fora, isto é, "[...] presencia o fato, mas não participa dele; não se deixa envolver pelas situações; faz mais o papel de espectador (MARCONI; LAKATOS, 2003, p.193)".

    Na investigação, observaram-se oito aulas de futsal para crianças de sete e oito anos, ministradas por professores de educação física, em quatro escolas especializadas da cidade de Santa Maria (RS). O que se procurou observar foi qual dos dois princípios anteriormente descritos é mais freqüentemente utilizado para se ensinar futsal. Para tanto, foram estabelecidos alguns critérios: (a) se, nas aulas, o professor apresentasse a série de exercícios como medida metodológica principal e, por último, o jogo formal (o jogo de futsal em si), considerar-se-ia o princípio analítico-sintético; (b) se o professor apresentasse a série de jogos como medida metodológica principal e, depois, mas não necessariamente, o jogo formal, o princípio global-funcional seria considerado. O pesquisador, à medida que os professores propuseram as atividades, as anotou em formulário específico.


Resultados e discussão

    A tabela seguinte contempla o número da aula observada, a incidência (a quantidade) de atividades motoras ministradas e o princípio metodológico.

Tabela 01: Princípio metodológico utilizado nas aulas observadas

    Com base nos dados anteriores, evidenciou-se a unanimidade do princípio analítico-sintético presente nas oito aulas das diferentes escolas para se ensinar futsal. As atividades foram baseadas em exercícios, realizados em partes, em etapas, apresentando uma divisão dos gestos, das técnicas, da ação motora em seus mínimos componentes (GRECO, 1998).

    Em geral, as aulas contemplaram exercícios de passe, de condução e de chute, realizados de forma individual, em duplas ou em trios. Seguiu-se à série de exercícios, em todas as aulas, o jogo formal, isto é, o jogo de futsal com a formação numérica de 5x5. Num total de 31 atividades propostas pelos professores, 24 delas eram, predominantemente, analíticas, representando 77,19% e a outra parte, menor, referiu-se à aplicação do jogo formal, representado 25,8%. Infere-se que os professores enfatizaram o modelo de ensino centrado na técnica o que, segundo Greco (1998, p. 41), está "[...] orientado ao gesto do campeão".

    Relevante que todas as escolas pesquisadas, ainda que pertençam, geograficamente, a locais diferentes, adotaram o mesmo princípio metodológico. O que se perde e o que se ganha com esse tipo de pedagogia? Perde-se cognitivamente, isto é, o aluno é treinado para repetir exercícios e não para resolver problemas; para seguir um modelo e não para criar e se adaptar a novas situações; para executar a habilidade (como fazer), mas não para aplicá-la em situação de jogo, associada ao o que fazer, quando fazer e por que fazer. A possível herança para os alunos, além das anteriormente mencionadas (incapacidade para resolver problemas, dificuldade para criar e se adaptar a novas situações) é a de adquirirem uma boa execução das diferentes técnicas do futsal.


Considerações finais

    Ao nosso ver, o que se encontrou nas escolas de futsal pesquisadas foi um tipo de pedagogia que não capacita a criança a resolver os problemas que se apresentam no jogo. A criança que aprende a praticar as habilidades, possivelmente, ficará competente nisso, mas isso não é garantia de que ela possa jogar bem futsal. A idéia analítica de que a soma das partes resultará no todo, isto é, de que se o aluno aprender a passar, a chutar, a conduzir se lhe garantirá jogar bem é, no mínimo, duvidosa. Por quê? Porque o jogo de futsal e os esportes coletivos em geral são muito mais que isso. Jogar futsal exige perceber, antecipar ações (no plano mental) e tomar decisões (GARGANTA, 1998). Escolher corretamente o que fazer dependerá, portanto, de saber escolher e isso demanda uma pedagogia do treino comprometida em propiciar situações nas quais isso seja exigido. Ora, um processo de ensino centrado na repetição de exercícios inibe conflitos e problemas, logo inibe a criatividade e a tomada de decisões.

    Em sendo assim, pensamos que o raciocínio do treino (ou da aula) de futsal deve perseguir o viés do jogo. O aluno, no treino, deve confrontar-se com as vicissitudes do jogo (SANTANA, 2002b). Mas, por que jogar? Pelo menos por seis motivos:

  1. O jogo atende o desejo de jogar da criança;

  2. O jogo motiva a criança a aprender;

  3. O jogo desenvolve a inteligência tática;

  4. O jogo favorece as trocas sociais;

  5. O jogo facilita o desenvolvimento moral;

  6. O jogo não exclui a técnica.

    Por um lado, não pode passar despercebido do que se observou, o fato de que é precoce ensinar um único tipo de esporte para crianças de sete e oito anos, ainda que, culturalmente, se justifique ensinar futsal no Brasil. Seguramente, crianças nessa faixa etária (considerando-se, evidentemente, as experiências individuais) em geral não se encontram no melhor período para aprender habilidades motoras específicas (MEINEL, 1984), tampouco para aplicá-las num contexto definido (GALLAHUE, 1996) e, muito menos, para se especializar esportivamente (BOMPA, 2002). Logo, a pedagogia observada, em particular por centrar-se na repetição de técnicas, compromete tanto a inteligência tática como o repertório motor das crianças. Estes são, ao nosso ver, os seus maiores equívocos.

    Compreendemos que os professores de esporte em geral devem ter conhecimento dos princípios metodológicos a serem aplicados na iniciação esportiva, pois estes têm uma relação estreita com o aprendizado do aluno, com a seleção das atividades motoras a serem propostas, com as diretrizes pedagógicas, com a idéia que se tem da formação do jogador. Como escolher um princípio, perpassa conhecê-lo, procuramos neste artigo, por um lado, clarificar os aportes teóricos de dois princípios antagônicos e, de outro, conhecer, num contexto em particular, a utilização dos mesmos em aulas de futsal para iniciantes.

    Esperamos que outros estudos sejam realizados no Brasil a fim de que se possa conhecer, em outros cenários e faixas etárias, como os professores ensinam futsal, um dos esportes mais praticados e queridos pelas crianças brasileiras.


Referências

  • BOMPA T.O. Treinamento Total para Jovens Campeões. São Paulo: Manole, 2002.

  • DIETRICH, K, DÜRRWÄCHTER, G, SCHALLER, H. Os grandes jogos: metodologia e prática. Rio de Janeiro, Ao Livro Técnico, 1984.

  • FONSECA, G.M. Futsal: metodologia do ensino. Caxias do Sul: EDUCS, 1997.

  • FREIRE, J.B. Pedagogia do futebol. Campinas, Autores Associados, 2003.

  • GALLAHUE D. L. Developmental Physical Education for Today's Children. Dubuque: Brown&Benchmark, 1996.

  • GARGANTA J. Para uma teoria dos jogos desportivos coletivos.In: GRAÇA A, OLIVEIRA, J. O ensino dos jogos desportivos. 3a ed. Santa Maria da Feira: FCDEF-UP, 1998. p.11-25.

  • GRAÇA, A. Os comos e os quandos no ensino dos jogos desportivos coletivos. In: GRAÇA A, OLIVEIRA, J. O ensino dos jogos desportivos. 3a ed. Santa Maria da Feira: FCDEF-UP, 1998, p.27-34.

  • GRECO, P.J. Iniciação esportiva universal 2: metodologia da iniciação esportiva na escola e no clube. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1998.

  • GRECO, P.J. Métodos de ensino-aprendizagem-treinamento nos jogos esportivos coletivos. In: GARCIA, E.S; LEMOS, K.L.M. Temas atuais VI - Educação física e esportes. Belo Horizonte: Health, 2001. cap.3, p. 48-72

  • LÓPEZ, J.L. Fútbol: 1380 juegos globales para el entrenamiento de la técnica. Sevilla: Wanceulen, 2002.

  • MARCONI M.A, LAKATOS E.M. Fundamentos de metodologia científica. 5a ed. São Paulo: Atlas, 2003.

  • MEINEL K. Motricidade II - O desenvolvimento motor do ser humano. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1984.

  • REIS, Heloisa Helena Baldy dos. O ensino dos jogos esportivizados na escola. 1994. Dissertação (Mestrado em Educação Física) UFSM, Santa Maria.

  • SANTANA, W.C. Heresia. 2004. Seção Editorial. Disponível em http://www.pedagogiadofutsal.com.br/editorial_006.php Acesso em 04 jul. 2004.

  • SANTANA, W.C. Futsal ou futebol de salão? Uma breve resenha histórica. 2002a. Seção Apontamentos. Disponível em < http://www.pedagogiadofutsal.com.br/texto_015.php Acesso em 04 jul. 2004.

  • SANTANA, W.C. Jogo livre: a herança do jogador de futsal bem treinado. 2002b. Seção Apontamentos. Disponível em http://www.pedagogiadofutsal.com.br/texto_019.php Acesso em 04 jul. 2004.

  • VOSER, R.C, GIUSTI, J.G. O futsal e a escola: uma perspectiva pedagógica. Porto Alegre: Artmed, 2002.

Fonte

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